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Revista o Molde: A Indústria 4.0 rumo à Indústria 5.0 – A Tecnologia ao Serviço das Pessoas na Indústria de Moldes

Ibermática an Ayesa company | Revista O Molde - A Indústria 4.0 rumo à Indústria 5.0 & A Tecnologia ao serviço das Pessoas na Indústria de Moldes

Neste terceiro trimestre de 2023, estamos novamente presentes na Revista O Molde e, nesta edição, abordámos o tema do caminho que se começa a delinear da Indústria 4.0 rumo à Indústria 5.0 e da tecnologia ao serviço das pessoas na Indústria de Moldes.

A atualidade do Mundo Industrial e da Indústria 5.0

A Indústria 5.0 diz respeito a um conceito que começa a delinear-se no âmbito da atualidade do mundo industrial.

Na realidade, o mundo industrial da atualidade vive desafios globais profundos e específicos – a que a própria Indústria de Moldes não é alheia.

Hoje em dia, a principal dificuldade da generalidade das empresas industriais são os recursos humanos. E, na realidade, as opções estratégicas adotadas pelas empresas têm um grande impacto na motivação das pessoas para trabalhar na indústria e, assim, na capacidade deste setor em atrair profissionais qualificados.

Dado o nível da evolução social que existe hoje nos países mais desenvolvidos, os vetores de recrutamento e retenção dos recursos humanos já não são apenas financeiros. E a tecnologia por si só também já não é suficiente para atrair os jovens para a indústria. De facto, o conceito de que as coisas não são de quem as possui, mas de quem as usufrui, é cada vez mais uma realidade nas camadas mais jovens, juntamente com a valorização do bem-estar e cuidado com o meio-ambiente.

E, neste sentido, os conceitos da Indústria 5.0 estão alinhados com as novas necessidades, tanto do mercado, como das pessoas e trazem consigo os ingredientes que são cada vez mais valorizados pelos profissionais.

Da Indústria 4.0 à Indústria 5.0

Indústria 5.0, Indústria 4.0, tecnologia disruptiva, pessoas no centro da tecnologia… O que é que estes conceitos significam? Existem vários conceitos que, nos últimos anos, começam a ouvir-se cada vez mais no nosso dia-a-dia. E isso deve-se ao facto de que, as mudanças na indústria são cada vez mais rápidas, pela grande capacidade de evolução da tecnologia.

Antes de explorarmos os conceitos de Indústria 5.0 e de tecnologia disruptiva – ou mesmo os acontecimentos que levaram a colocar as pessoas no centro das organizações, necessitamos enquadrar o seu contexto geral.

A implementação de sistemas para a digitalização nas empresas, automatização e IoT ou Internet of Things deram origem ao início da Quarta Revolução Industrial – também denominada por Indústria 4.0.

Os inícios da Indústria 4.0

A Terceira Revolução Industrial decorreu no Séc. XX e teve por base a utilização da energia elétrica como força motora ao serviço da indústria, o que permitiu a introdução de novos conceitos de organização e de trabalho.

Graças à evolução da tecnologia, foram surgindo novas tendências, que conduziram a indústria a uma nova fase de evolução. E esta evolução começou a materializar-se com a implementação de sistemas digitais – que, mais tarde, permitiram desenvolver processos completos de digitalização empresarial. Em consequência, surge uma maior automatização de sistemas, que culminou com o conceito de IoT – Internet of Things – ou Internet das Coisas.

E tudo isto marcou o início da Quarta Revolução Industrial – mais conhecida como Indústria 4.0.

Agora, a questão que se coloca é: se estamos numa transição recente para uma nova era – que é a Indústria 4.0, porquê a necessidade de falar de Indústria 5.0?

O que é a Indústria 5.0?

A rápida evolução da humanidade e a capacidade de adaptação a novos desafios, bem como a oportunidade de desenvolver novas técnicas e sistemas, proporcionaram-nos transformações a uma velocidade impressionante.

E é precisamente por isso que iniciamos um novo rumo da revolução industrial.

Todas as revoluções industriais têm como pilar o aparecimento de uma tecnologia disruptiva.

No entanto, a chegada de uma nova revolução muitas vezes não substituiu a anterior – pelo contrário, pode servir para consolidá-la. É este o caso da Indústria 5.0 – que essencialmente vai ajudar a melhorar vários aspetos dos princípios da Indústria 4.0, colocando-a ao serviço das pessoas.

Em que se diferenciam a Indústria 4.0 e a Indústria 5.0?

A Indústria 4.0 centrou o seu foco nos acionistas, levando-os a orientar os seus esforços na otimização do desempenho das organizações, para a obtenção de benefícios como consequência de maior eficiência.

Por outro lado, a Indústria 5.0 concentra a sua atenção em todas as partes interessadas da organização: desde os trabalhadores, passando pelos acionistas e o meio ambiente.

Daí que a Indústria 5.0 chegou para fortalecer a Indústria 4.0 – trata-se do uso adequado e mais humano de toda a tecnologia disruptiva disponível.

Neste sentido, falamos da humanização das empresas e da indústria, ou seja, as pessoas no centro das organizações.

Indústria 5.0 - quais os pilares fundamentais?

A Indústria 5.0 tem por base os seguintes pilares:

  • Pessoas – trata-se de um fenómeno Human-Centric, isto é, centrado nas pessoas, que são as que gerem e garantem toda a tecnologia e digitalização que a Indústria 4.0 nos trouxe;
  • Sustentabilidade;
  • Resiliência.

Pilar 1: As Pessoas

Qual o papel das Pessoas na Nova Era da Digitalização Industrial ou Indústria 5.0? Por que razão passam a ser um pilar fundamental?

Na realidade, a Indústria 4.0 centrou-se na modernização das empresas, nomeadamente, no desenvolvimento de meios auxiliares para a gestão, captura de dados na fábrica, cibersegurança e integração dos diferentes sistemas de gestão operacional – com o objetivo de obter uma única fonte de verdade (o dado único), informação em tempo real, mobilidade, entre outros.

A Indústria 5.0, para além de favorecer a implementação das novas tecnologias e a adoção de novas formas de trabalho, introduz também novos princípios, destacando as Pessoas na consecução e concretização dos objetivos das organizações e funcionando como motor para a inovação.

Neste sentido, a tecnologia passa agora a ser um meio para as pessoas, um instrumento para atingir um fim e não um fim em si mesmo. Ou seja, as novas capacidades tecnológicas proporcionadas pela Indústria 4.0 são criadas e desenvolvidas para e pelas pessoas.

E é precisamente por este motivo que podemos afirmar que, esta Nova Revolução Industrial surge em prol das Pessoas, isto é, com uma vertente marcadamente Human Centric. Desta forma, a tecnologia passa a estar ao serviço do ser humano, dando lugar a uma nova colaboração entre homem-máquina.

Por outras palavras, a Indústria 5.0 tem como objetivo combinar estes dois mundos, criando sinergias, reforçando-se e complementando-se. Desta forma, é possível potenciar algumas das capacidades que já possuímos como seres humanos, melhorar a vida de cada um e criar um meio ambiente mais alinhado com os valores da atualidade, através de processos mais sustentáveis.

Pilar 2: Sustentabilidade

Um dos pilares fundamentais da Indústria 5.0 diz respeito ao desenvolvimento da produção através de sistemas baseados em energias renováveis.

Neste contexto, não podemos deixar de referir o Acordo de Paris, que tem como objetivo limitar o aquecimento global em 2 graus Celsius e tentar cumprir a meta inicial de mantê-lo em 1,5 graus Celsius, para evitar as consequências catastróficas das alterações climáticas. 

Em concreto, no dia 28 de novembro de 2019, o Parlamento Europeu adotou uma resolução para que os países membros da União Europeia (UE) se comprometam a atingir a neutralidade das emissões de dióxido de carbono até 2050, sendo este o objetivo a longo prazo para cumprir o Acordo de Paris, e estabeleceu o objetivo de cortar 55% das emissões dos gases com efeito de estufa até 2030.

Adicionalmente, com a aprovação final da Diretiva de Comunicação de Informações sobre a Sustentabilidade das Empresas, por parte do Conselho Europeu (CE), no final de 2022, em breve as empresas – em concreto: as grandes empresas; todas as empresas cotadas em mercados regulamentados, com exceção das microempresas; e as PME cotadas – serão obrigadas a publicar informações detalhadas sobre questões de sustentabilidade.

Em comunicado, Jozef Síkela, Ministro da Indústria e Comércio da República Checa, referiu que “As novas regras tornarão mais empresas responsáveis pelo seu impacto na sociedade e orientá-las-ão para uma economia que beneficie as pessoas e o ambiente. Os dados sobre a pegada ambiental e social estarão publicamente disponíveis para qualquer pessoa interessada nesta pegada. Ao mesmo tempo, os novos requisitos alargados são adaptados a várias dimensões de empresas e proporcionam-lhes um período de transição suficiente para se prepararem para os novos requisitos”.

Neste sentido, a Indústria 5.0 tem como missão reduzir as emissões de carbono em 55%, criando assim uma indústria mais sustentável, com maior respeito pelos recursos naturais e pelo meio ambiente.

Assim sendo, as empresas terão de promover investimentos e financiamentos adicionais, com vista a facilitar a transição para uma economia sustentável, tal como delineada no Pacto Ecológico.

Desta forma, a política de sustentabilidade passa a estar na agenda prioritária das empresas, que necessitarão reforçar as suas iniciativas relativamente ao desenvolvimento de processos industriais circulares, conducentes a:

  • reutilização e reciclagem de recursos – produtos e materiais;
  • separação e redução de resíduos;
  • minimização – ao máximo – do impacto ambiental;
  • melhoria da eficiência energética;
  • incremento das energias renováveis ao nível do consumo de energia;
  • redução das emissões de gases com efeito de estufa;
  • entre muitas outras.

3º Pilar: Resiliência

O que queremos dizer quando falamos de resiliência? A resiliência é definida como a capacidade e flexibilidade para enfrentar mudanças.

Tanto os mercados, como as cadeias de valor globalizadas enfrentam permanentemente novas situações e/ou crises, em diferentes ambientes – no âmbito político e de emergências naturais.

Este tipo de situações faz com que o impulso face à Indústria 5.0 ganhe protagonismo, tanto a nível europeu, como global. E, destacar, assim, a tecnologia e inovação como ingredientes necessários para a evolução do ecossistema industrial – um ecossistema que deve desenvolver a sua capacidade de adaptabilidade e saber reagir aos imprevistos.

Quais as características de uma empresa resiliente?

Quando falamos de uma empresa resiliente, falamos de organizações que adotaram e promoveram culturas flexíveis e estratégias ágeis, aproveitando a disrupção tecnológica e utilizando todos os softwares e hardwares que tiveram ao seu alcance.

Se bem que temos ainda muito por descobrir neste campo, existem algumas práticas que podem ser úteis como primeiro passo para converter uma empresa numa empresa mais resiliente:

  • desenvolvimento de técnicas inovadoras: produção modular, fábricas com gestão à distância (fábricas operadas remotamente);
  • uso de novos materiais;
  • controlo e gestão de riscos e incidentes em tempo real.

Estas práticas fazem com que as indústrias caminhem em direção à resiliência.

Mas, quais são as características de uma empresa resiliente? De acordo com vários estudos, as empresas resilientes cumprem os seguintes parâmetros:

Estão preparadas

Dentro das estratégias destas organizações, está sempre incluída uma em específico: aquela que é planeada para cenários improváveis e negativos. Em virtude deste “plano de adaptação a novas situações”, que podem não chegar a acontecer, as empresas conseguem, com relativa facilidade, gerir os novos cenários nos quais se encontram – um exemplo claro disso foi a pandemia que recentemente atravessámos.

Adaptam-se

As empresas, além de terem planos adaptados a qualquer tipo de cenário, a capacidade de se adaptar aos mesmos é essencial.

No fundo, de nada adianta ter um plano perfeito, se, quando a empresa chega a esse momento, não está preparada para o colocar em prática.

A flexibilidade e a capacidade de adaptação são características essenciais que os líderes devem promover para o futuro das suas organizações.

Colaboram

A colaboração reduz riscos, acelera a tomada de decisões e impulsiona a inovação.

Além disso, a colaboração em conjugação com a integração entre os diferentes departamentos elimina os silos de informação e melhora a tomada de decisões.

Gerar confiança

Gerar confiança é um desafio nas organizações, sendo que alcançá-lo é essencial para melhorar a comunicação e a transparência relativamente aos stakeholders mais críticos.

São responsáveis

Para além de serem rentáveis ​​e crescerem no mercado, é importante que as empresas sejam responsáveis ​​quanto aos seus stakeholders e também quanto ao meio ambiente.

Em consequência, a empresa reveste-se da capacidade de adaptabilidade ótima para poder responder de forma rápida e eficiente a eventos disruptivos que possam ocorrer.

Neste sentido, considera-se que este é o pilar que encerra o círculo da Indústria 5.0.

Indústria 5.0 – a Indústria rumo à Ética Social?

No que diz respeito à questão da Indústria 5.0 conduzir o setor industrial rumo à ética social, poderemos dizer que sim, até um determinado ponto – isto é, de facto, a Indústria caminha, cada vez mais, em direção à Ética Social.

Na realidade, a Indústria 5.0 reconhece o enorme poder deste setor como elemento transformador – para alcançar objetivos de emprego, crescimento e, acima de tudo, de bem-estar das pessoas e de sustentabilidade do planeta.

Efetivamente, esta nova tendência está alinhada com o momento particular em que vivemos, assistindo-se a fenómenos de:

  • escassez de recursos – é necessário promover a motivação e bem-estar das pessoas, para que sejam capazes de utilizar da melhor forma os seus conhecimentos e a tecnologia, beneficiando todo o ecossistema e seus intervenientes;
  • redução de custos – é fundamental trabalhar de forma eficiente e ser consciente dos recursos escassos do nosso planeta e, simultaneamente, das exigências colocadas pelos clientes;
  • as empresas trabalham para as pessoas – os trabalhadores devem ser um investimento para as organizações e não um custo;
  • sustentabilidade – o objetivo terá de ser “fazer mais com menos”, ou seja, investir na denominada “Produção Circular”, minimizando a pegada de carbono e aproveitando ao máximo cada recurso ao nosso dispor.

Em resumo, a Indústria 5.0 vai mais além do conceito da Indústria 4.0.

A importância do conceito de Indústria 5.0 na Indústria de Moldes

De forma genérica, podemos dizer que a indústria como um todo terá um papel importante a desempenhar na transição para uma sociedade centrada no ser humano, sustentável e resiliente.

Além disso, para que a indústria continue a ser um dos motores do desenvolvimento económico, terá incontornavelmente de se adaptar, inovar e desenvolver novos modelos, para entrar naquele que se considera ser o novo paradigma social e ambiental que enfrentamos e enfrentaremos.

Neste sentido, a própria Indústria de Moldes tem reunidas todas as condições para começar a eliminar uma das grandes debilidades com que se tem debatido nos últimos tempos.

Nos dias de hoje, as empresas já não podem concentrar-se somente nos benefícios trazidos pela adequada implementação da tecnologia – isto é, nos elevados níveis de produtividade e eficiência, para alavancar a sua competitividade.

Na realidade, a sustentabilidade e crescimento das empresas da Indústria de Moldes terá de passar por:

  • utilização ótima da tecnologia, permitindo às empresas alinhar-se com as novas formas de trabalho remoto e valorização de bem-estar, privilegiadas pelas novas gerações de profissionais;
  • agilidade e flexibilidade de processos, para uma tomada de decisões mais rápida e resiliente face à volatilidade do mercado – que ainda se prevê instável e ambíguo nos próximos tempos;
  • reforço de uma política de sustentabilidade robusta, com a introdução de fontes de energia renováveis e desenvolvimento de processos industriais circulares para diminuição da pegada carbónica.

Desta forma, as empresas da Indústria de Moldes não só estarão a preparar-se, cada vez mais e melhor, para alavancar a sua posição no mercado perante os seus concorrentes, como também perante os seus futuros colaboradores.

No fundo, ao alinhar-se com os conceitos trazidos por esta Nova Era da Digitalização, estas organizações irão reforçar a sua atratividade em recrutar e reter os talentos que irão definir a Indústria de Moldes 5.0!

Para conhecer todos os artigos que já publicámos na Revista O Molde, relativamente aos desafios, tendências, novidades e inovações na Indústria de Moldes e Injeção de Plásticos, clique aqui!

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